Meraluz Art Production

presents:

Não vamos falar DA vida, vamos falar DE vida !


Procure por assunto:

Neste Blog Na Web

powered by FreeFind



Quer música? Selecione e clique no PLAY







Fotos da Lu








:

- Pessoa ao Acaso (2005)
- O Eterno Retorno de Nietzsche (2003)
- Sabines e Terezas
- Sem metades
- Hoje, excepcionalmente catártica
- E quando ouvir Lulu Santos... (2003)
- Van Gogh (2003)
- Citações e Excitações (2003)
- Avesso semântico (2005)
- Infinito enquanto dure? Aqui, ó!!!!
- Álgebra amorosa (2004)
- A esp'rança é um dever do sentimento (2004)
- Coisa de alma (2004)
- Das coisas que aprendi (I)... (2004)
- De prazeres e sofreres (2004)
- Das cousas que aprendi (II) (2004)
- Loucos de amor (matéria VEJA 2005)
- Fazer o certo não é apenas não fazer o errado (2005)
- Devastadoras calmarias (2005)
- A dor é a saudade do riso (2005)
- Histórias sem fim
- Cuidado com o cuidado (2005)
- Errando o texto (2005)
- Inexplicando (2005)
- Maldita sensatez (2005)
- Mentiras, mentiras... (2005)
- Voz (2005)
- Coerências (2005)
- Para quem está de saída... (2005)
- (in)Conformismos (2005)
- Mas eu não nasci para competir... (2006)
- É simples! (2006)
- Os Diferentes - texto de Artur da Távola (2005)
- Voyeurismo (2005)
- Gostar (2005)
- A dor e a delícia de ser livre (2009)
- Razão e emoção (2009)
- Sobre a hora de partir (2009)
- Todo ser humano é um grande egoísta (2009)
- É impossível ser feliz sozinho? Nem tanto... (2006)
- Desencontro marcado (2006)
- Existe 'caso mal resolvido'? (2010)
- Os doces estertores dos 20 anos (2010)
- Por que escrevo (2010)
- Trajetória dos erros (2009)
- Os imaturos do amor (2009)
- Tem horas que... (2009)
- Amores de Conveniência (2002)
- Segmentos do Tempo (2003)
- Já não há hippies para falar de paz
- (Encontro entre parêntesis) 2002
- As Duas Formas de Amar
- Calem a boca, falsos amantes !
- Não Freud e não sai de cima
- E meu coração nunca mais foi o mesmo
- Mulheres de Rubens e Liberdade dos Lipídios
- Monocromia Secreta de um Final de Ano
- Lemas e Dilemas
- "Não fique triste" uma banana!
- Pelo retrovisor (2004)
Jogo de palavras (2004)
- Mais que "mas"


email-me


- Algumas páginas da minha vida
- Avesso do Avesso
- Blog da Maysa
- Blog do Noblat
- Botequim Poético
- CopacabAna de Toledo
- Cozinha do Malandro
- Diário de um Malandro (marcinho)
- Diário do Rio de Janeiro
- Digressiva Maria
- Fábrica de Palavras>
- Glória Horta - blogs
- Lidos & Relidos
- Manual dos Sentidos
- Meu Blog não tem Nome Bacana
- No Limite da Razão
- O Observador
- O que é isso, Bruno Lara?
Outros pensares, outros dizeres
- Pensamentos Imperfeitos
- Simplesmente eu
- Umbigo do Sonho
- Uma professora apaixonada
- Urublog (Arthur Muhlenberg)


Poema XXVII, in Poemas do Irremediável
- Paschoal Carlos Magno

Sei que a promessa não será cumprida,
à medida que teus passos se afastam,
sei que não voltarás à minha vida...

Se tivesse coragem de gritar
"Pára", talvez ainda me ouvirias
como ouço teu começo de viagem...

Mas não: dia a dia
devo assistir
a chegada consciente da distância...
---------------------------------------

Outro poema:

Oh, yes! - Charles Bukowski

there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.








VejaBlog - Seleção dos Melhores Blogs/Sites do Brasil














My Movable Type




Quelque Chose no ar, desde 2002
fevereiro 7, 2010

A dor de não despencar

E então, quando menos se espera, a gente leva um golpe. Até aí nada de inusitado. Golpes acontecem a todo instante, a diferença está em como cada um lida com eles. Aí eu pergunto: de quem é a dor maior? Daquele que se descabela, que se desorienta, que se fragiliza, que veste o papel de vítima, que inspira culpa, cuidados ou piedade? Ou daquele que segura a onda, daquele que, como uma árvore, morre de pé, que reza sua dor em silêncio, que briga com todas as tensões e encara o rosto feio das mágoas para, num esforço sobre-humano, tentar seguir em frente sem fazer alardes, sem insistências vãs, sem se tornar um peso pra quem quer que seja? Fica no ar a questão. O sibilante choro dos 'ingênuos' ou a discreta contenção dos 'fortes'? Seria o frágil tão frágil e o forte tão forte? Muitas vezes, é justamente o inverso, e é preciso relativizar.

Já estive nos dois lados. No começo dessa longa estrada, fiz barulho, gritei, chorei e apelei, inconformada. E, enquanto duelava comigo e com o mundo, achando que não suportaria os golpes e as perdas, a dor ia se dissipando, sem que eu percebesse, até sumir por completo. Dentro de algum tempo, já nem me lembraria mais das tão dramáticas contusões. Era muito fácil passar para uma próxima etapa, até por causa das hemorragias. Ainda havia uma sucessão de golpes pela frente. Mas, ao longo dessa corrente de desassossegos, passei a achar feio as reações intempestivas, primárias e estridentes. Ainda que eu conseguisse lucrar algo com elas, nada acontecia pelo que eu era, pelo fluxo natural da vida, mas pela pressão, pelo pieguismo, pelo cansaço, e muitas vezes pelo desconforto que eu, intencionalmente, causava no outro.

Então passei para o outro lado, 'precisei ser forte'. Não desmontar, não despencar, não desarrumar os cabelos, não borrar a maquiagem, não me esquecer das outras peças da engrenagem, por mais lacerante que fosse uma situação. Não que os 'fracos' confessos sejam seres desprezíveis, mas é que a vida não os perdoa, e, no fundo, nem eles mesmos. Fraquezas todos temos, ou não seríamos humanos. Mas a vida não gosta da sua cara (da fraqueza), tampouco a respeita. E aos que não querem pagar o preço de expor suas fraquezas não resta outra escolha senão se armar de uma pseudofortaleza. E aí, além de sofrerem as dores lancinantes de golpes, perdas ou danos, ainda carregam o peso dessa consciência. E como dói não poder despencar! Como dói ter de prosseguir nas frias trilhas dessa relativa e aparente lucidez. Como dói não berrar a nossa dor, neutralizar nossos espasmos, sofrer para dentro.

As pessoas olharão para esses 'frágeis às avessas' e dirão: "Eles sabem se virar, são bem resolvidos!". E muito pouco lhes darão, por acharem que não é necessário. Mais ocupadas com os carentes de plantão que as sugam, são incapazes de imaginar como é pungente, naqueles 'que sabem se virar', a dor de não despencar. Estão longe de perceber que, para que isso acontecesse, foi preciso que esses patéticos 'equilibristas', que trazem na alma um quê quase chapliniano, fizessem morrer dentro deles um pedaço da própria vida. Um pedaço que morreu de pé, sem despencar.


::: by meraluz at 12:00 AM


|

fevereiro 6, 2010

1/2 dúzia de razões para não estar feliz:

 

 

1) Tomei um toco de R$ 450,00 no Mercado Livre ao tentar comprar um PS2. >>>

 

2) As obras em casa não terminam nunca. Viraram um pesadelo. A agradável sinfonia das esmerilhadeiras é de enlouquecer. >>>



3) Meu Mengão anda com a zaga furada, fazendo vergonha. >>>

 

4) Calor de 40,9 graus no Rio, com sensação térmica de 50. Oh, disgusting...! >>>

 

5) Saudade inútil de certas pessoas... >>>

 

6) Daqui a uma semana terei um ano a mais (ou a menos). >>>

 

 

1/2 dúzia de razões para estar:

 

 

1) Eu não me rasgo por dinheiro. Dane-se! Dinheiro é coisa que vai e vem.

 

2) Embora morra de pena dos pobres pedreiros, não estou na pele deles; não sobreviveria. Pelo menos Deus dá saúde e força a essa gente sofrida.

 

3) Meu Mengão é HEXA!!

 


4) Viva o ar condicionado e a alegria do verão!
 


5) Boas surpresas com outras...


6) E nem por isso hei de ficar necessariamente mais velha. Vejamos: para envelhecer seria preciso que a pessoa nascesse pronta e fosse se gastando, assim como um carro. Ñinguém nasce pronto, né? (ui, essa não convenceu nem a mim. ;)

 


::: by meraluz at 12:27 AM


|

fevereiro 3, 2010

A história de Maria Vitória

(Assim como na poesia, há tempos eu não faço um conto, uma ficção. Estou mesmo querendo variar de estilo. Se eu conseguir fazer uns três seguidos, talvez eu venha a produzir algo de bom futuramente. Por enquanto, fica este ensaio mesmo. )

A HISTÓRIA DE MARIA VITÓRIA

Agora que passara dos 30, Maria Vitória cismou de querer casar. Queria ter filhos, constituir família, de preferência com um parceiro que fosse homem de bem e lhe pudesse oferecer padrão de vida estável. Queria se casar. Já estava cansada de aventuras, de amores efêmeros, de viver o imprevisível. Com o tempo, sua meta transformou-se em obsessão. Procurava marido em qualquer canto; nas ruas, nas festas, em velórios e casórios. Nas noitadas não, porque homens disponíveis em casas noturnas eram... noturnos. Ou seja, não passavam mesmo de uma noite; uma noite lasciva - regada a champagne ou cerveja, dependendo do nível. Voltou-se ela, portanto, para este fim: casar e levar uma vida certinha. Frequentava cursos e inventava atividades em cujo ambiente pudesse estar aquele que viria a realizar o seu sonho maior. Queria tudo nos moldes tradicionais: casar na igreja, vestida de branco, jogar o buquê, posar para fotos cruzando tacinhas de cristal... Enfim, tudo a que tinha direito.

Porém, apesar de envidar todos os seus esforços nessa busca alucinada, o noivo nunca aparecia. O tempo passava e o máximo que conseguia era uma série de promessas baratas, com posterior saída à francesa. Quando o sujeito desconfiava da real intenção de Maria Vitória, dava logo um jeito de inventar viagens, problemas, doenças ou qualquer outro tipo de pretexto para pular fora do barco que o levaria à 'forca'. Mas Maria Vitória não desistia, queria porque queria casar. Àquela altura já era uma questão de honra. Não iria morrer solteirona. Começou a ficar deprimida, recolhida. Esquivou-se dos amigos, deixou de lado tudo o que a fazia sorrir ou deleitar-se, de alguma forma. Desorientada, entrou para a Igreja Universal do Reino de Deus. Lá certamente haveria de encontrar um marido. E finalmente, em nome de Jesus, encontrou. Aleluia, irmãos! Ezequiel era seu nome, um pequeno comerciante, de pouca cultura, mas trabalhador, honesto e... fanático. (clique aqui para continuar a história de Maria Vitória)


::: by meraluz at 02:08 AM


|

janeiro 31, 2010

A Nova Minoria (Martha Medeiros)

Excepcionalmente - muito excepcionalmente - hoje aqui, um texto de Martha Medeiros. Este eu achei bem "sensato". Não faz aquele tipo "para mulhereszinhas mal-amadas".

A NOVA MINORIA

É um grupo formado por poucos integrantes. Acredito que hoje estejam até em menor número do que a comunidade indígena, que se tornou minoria por força da dizimação de suas tribos. A minoria a que me refiro também está sendo exterminada do planeta, e pouca gente tem se dado conta. Me refiro aos sensatos.

A comunidade dos sensatos nunca se organizou formalmente. Seus antepassados acasalaram-se com insensatos, e geraram filhos e netos e bisnetos mistos, o que poderia ser considerada uma bem-vinda diversidade cultural, mas não resultou em grande coisa. Os seres mistos seguiram procriando com outros insensatos, até que a insensatez passou a ser o gene dominante da raça. Restaram poucos sensatos puros.

Reconhecê-los não é difícil. Eles costumam ser objetivos em suas conversas, dizendo claramente o que pensam e baseando seus argumentos no raro e desprestigiado bom senso. Analisam as situações por mais de um ângulo antes de se posicionarem. Tomam decisões justas, mesmo que para isso tenham que ferir suscetibilidades. Não se comovem com os exageros e delírios de seus pares, preferindo manter-se do lado da razão. Serão pessoas frias? É o que dizem deles, mas ninguém imagina como sofrem intimamente por não serem compreendidos.

O sensato age de forma óbvia. Ele conhece o caminho mais curto para fazer as coisas acontecerem, mas as coisas só acontecem quando há um empenho conjunto. Sozinho ele não pode fazer nada contra a avassaladora reação dos que, diferentemente dele, dedicam suas vidas a complicar tudo. Para a maioria, a simplicidade é sempre suspeita, vá entender.

O sensato obedece a regras ancestrais, como, por exemplo, dar valor ao que é emocional e desprezar o que é mesquinho. Ele não ocupa o tempo dos outros com fofocas maldosas e de origem incerta. Ele não concorda com muita coisa que lê e ouve por aí, mas nem por isso exercita o espírito de porco agredindo pessoas que não conhece. Se é impelido a se manifestar, defende sua posição com ideias, sem precisar usar o recurso da violência.

O sensato não considera careta cumprir as leis, é a parte facilitadora do cotidiano. A loucura dele é mais sofisticada, envolve rompimento com algumas convenções, sim, mas convenções particulares, que não afetam a vida pública. O sensato está longe de ser um certinho. Ele tem personalidade, e se as coisas funcionam pra ele, é porque ele tem foco e não se desperdiça, utiliza seu potencial em busca de eficácia, em vez de gastar sua energia com teatralizações que dão em nada.

O sensato privilegia tudo o que possui conteúdo, pois está de acordo com a máxima que diz que mais grave do que ter uma vida curta é ter uma vida pequena. Sendo assim, ele faz valer o seu tempo. Reconhece que o Big Brother é um passatempo curioso, por exemplo, mas não tem estômago para aquela sequência de conversas inaproveitáveis. É o vazio da banalidade passando de geração para geração.

Ouvi de um sensato, dia desses: “Perdi minha turma. Eu convivia com pessoas criativas, que falavam a minha língua, que prezavam a liberdade, pessoas antenadas que não perdiam tempo com mediocridades. A gente se dispersou”. Ele parecia um índio.

Mesmo com poucas chances de sobrevivência, que se morra em combate. Sensatos, resistam.


(Fonte: Jornal O GLOBO, Revista de Domingo, 31.10.2010)


::: by meraluz at 01:29 PM


|

janeiro 28, 2010

Pra descontrair :)

Frase do dia:



::: by meraluz at 06:10 PM


|

janeiro 27, 2010

Não ficar no problema, porém sem dele fugir.

Optar por não ficar no problema não significa fugir dele. Fugir do problema é quando se desconversa, quando não se enfrenta as verdades, quando não se olha de frente para os fatos, quando se mascara uma realidade. É fácil fugir. E é o que a maioria faz para evitar desconfortos imediatos. Há sempre uma porta que foi esquecida aberta ou passagens subterrâneas que levam à ilusão de um outro lugar.

Já escolher não ficar no problema exige muito mais de nossas forças e de nossa compreensão. Neste caso, a gente enxerga tudo, constata o obstáculo e sai sem fugir, espreitado pelo olhar vigilante da consciência. Sai porque entende que permanecer no que foi percebido como problema é o caminho mais fácil para se perder e se ralar. A fuga, mais cedo ou mais tarde, será sempre surpreendida pela própria vida que vem nos cobrar. Mas a opção consciente de não ficar é quase um ato de heroísmo, é uma escolha dolorosa para evitar dores maiores.

Um problema é sempre um problema, uma vez diagnosticado. Penso que insistir nele é uma teimosia improfícua. E a melhor solução é tentar eliminá-lo, se o impasse não se resolve e torna a se repetir e repetir. Mas sem fugir... Assumindo todos os ônus e riscos, sentindo as dores de todas as lesões que essa escolha ocasiona.

Mas, afinal, o que é um problema, aqui neste contexto? - alguém poderá indagar. Um problema é tudo aquilo que suprime o bem-estar, que gera tensão, desassossegos ou inseguranças, eu diria. E quem gosta e consegue conviver com isso a longo prazo pode estar a um passo da insensatez. Eu não, eu não...
Fugir não fujo, mas escolho não ficar.


::: by meraluz at 10:54 PM


|

janeiro 24, 2010

Poema sem poema

Por estar inconformada com o bloqueio que venho sofrendo há anos em relação à poesia, arrisco-me aqui a um primário exercício. Assim, pelo menos, demonstro que estou disposta a reencontrá-la. Se não conseguir, desisto de vez e mando-a pro espaço. Pensando bem, ela não serve pra muita coisa mesmo, a não ser a expressão de um lirismo quase que imbecilizado, principalmente quando rimado e metrificado.


Poema sem poema

Eu queria fazer um poema
Sem regras, sem temas...
Mas como fazê-lo
Se de mim levaram a poesia?
Como fazê-lo
Com a palavra crua e fria?

Por isso, e só por isso, peço:
Devolvam-me a poesia,
O meu olhar de crença,
O sentido dos meus dias,
As veias da existência.

Do contrário,
Como fazer um poema?
Como fazer um poema
Com as mãos vazias?
Sem idas, sem vindas,
Sem voltas, sem revoltas?

Devolvam meus suspiros,
Meus ais, meus trilhos,
Para que eu possa, enfim,
Reencontrar os versos
Que pertencem a mim.


::: by meraluz at 03:14 PM


|



Cenas cariocas

A TAP Portugal e a Infraero homenagearam de forma diferente a cidade do Rio de Janeiro e o Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, no dia 20 de janeiro.


::: by meraluz at 09:19 AM


|

janeiro 20, 2010

Existe 'caso mal resolvido'?

Já acreditei nessa história de 'casos mal resolvidos'. Mas, com o tempo (e com a psicanálise, claro), compreendi que eles não existem. Os protagonistas desses 'casos' é que ficam bem ou mal resolvidos. Há quem pense que para resolver uma história que não terminou do jeito desejado é preciso esgotar todas as palavras ou mergulhar até o mais profundo talvegue de um rio de emoções desencontradas. É um ponto de vista, mas não o meu. Se alguém me diz: "Tal relação ficou mal resolvida", limito-me a comentar: "Então pronto! Ficou resolvida como 'mal resolvida.'" Isso porque muitas soluções são mais facilmente encontradas dentro - e não fora - de nós. A conversa que temos realmente de ter é com os nossos próprios botões, e a partir dos fatos disponíveis. Uma sequência de fatos e de comportamentos é suficientemente eloquente para fornecer o diagnóstico (e o prognóstico) de qualquer relacionamento.

Além disso, se pensarmos bem, nenhum final é feliz, ideal, satisfatório. Sair de uma relação com as palavras certas, dissecando o adeus em minúcias, numa interminável e desgastante sessão de perguntas e respostas, também pode ser doloroso. E, ainda por cima, não é garantia de que os sentimentos não se tornarão recorrentes. Talvez o mais indolor dos finais seja aquele em que o sentimento se dissolve durante a própria relação. Assim, sem a força desse sentimento, que morreu sem ser percebido, todo o resto se transforma em desimportâncias, e o ponto final acontece quase que naturalmente, sem traumas, nem expectativas, nem recalcitrâncias. Mas nem sempre é assim.

Em conversa com amigos, sempre vem à tona esse papo de "casos mal resolvidos". Quase todo mundo tem um pra contar. Ouço-os se queixarem, com frequência, de que, em suas frustradas relações, "ficou algo por dizer", "ficou algo por entender", e que "é preciso um último diálogo" para virar a página definitivamente (se é que o definitivo é mesmo definitivo). Mas será que a vida útil do romance não foi feita para acabar justamente naquela página? Nem todas as histórias são brindadas com finais felizes e esclarecedores, o que, em hipótese alguma, é motivo para menosprezar a sua importância. E depender da outra parte para determinar cada final de caso, à nossa conveniência, convenhamos, é bastante trabalhoso.

Também não é incomum ver pessoas acorrentadas a impasses de seu passado, ao longo de anos, até mesmo de décadas. Neste caso, nem o tempo, que sempre ajuda a pulverizar dores, mágoas e culpas, conseguiu ser um bom remédio. E aí a coisa pode acabar assumindo níveis patológicos. É preciso tomar cuidado. Não há nada pior do que se tornar um prisioneiro, principalmente do passado, que é tão estático quanto as velhas fotografias que o representam sem nada poder fazer.

Não estou aqui a subestimar a dor de ninguém. Sei que lidar com sentimentos não coisa é fácil, sobretudo com sentimentos que um dia foram feridos. Mas penso que, se sedimentarmos o eixo de nossa órbita em nós mesmos, e não no outro, tudo ficará mais claro. Por exemplo, um sintoma de saudade não precisa ser torturante, nem condicionado ao personagem que a ela deu origem. A saudade é nossa e só nossa; permitamo-nos senti-la, sem resistências, por alguns momentos, e pronto! Depois ela se vai, ainda que venha nos revisitar mais adiante. Não temos necessariamente que agir ou criar expectativas por causa de súbitas nostalgias; isso gera tensão. Certamente, com a sucessão de novas experiências e urgências, certas lembranças tendem a se tornar cada vez mais raras. Se uma história terminou era porque assim tinha de ser. E que importa se ela pode ou não retornar amanhã? Amanhã é amanhã. Não importa. Daí que o importante é viver. Tudo faz parte dessa louca aventura de viver: o bem, o mal, o prazer, a dor, os erros, os acertos, as dúvidas, as certezas, tudo... E nada permanece no lugar o tempo todo. Só nós, que moramos dentro de nós... Vivamos, pois, a partir de nossa única e inevitável existência.


::: by meraluz at 01:26 PM


|

janeiro 12, 2010

Rio, 49º

Agora vocês acreditam?

Rio, 49º

Estamos derretendo. A sensação térmica é de mais de 50 graus. Nunca vi um verão desses na minha cidade. O planeta grita por socorro e ninguém ouve.


::: by meraluz at 10:53 AM


|

janeiro 11, 2010

Os doces estertores dos 20 anos

Quando eu era jovem (mais jovem ;) ) e comecei a descobrir o fascinante mundo das ideias, tudo parecia possível, tangível, instigante, desafiador. É próprio da juventude as paixões levadas ao extremo. É próprio da juventude levantar bandeiras, mergulhar visceralmente em ideais grandiosos, querer mudar o mundo. Eu, junto com meus jovens companheiros de ideais, também queria mudar o mundo. Nosso templo era o Diretório Acadêmico, nossos mentores os autores de doutrinas radicais e perfeitas no papel (no caso, Marx, Hegels, Trotsky, Sartre, Gide, Nietzsche, Artaud, etc. etc.). Ganhávamos as ruas, fazíamos barulho, clamávamos por justiça, inspirados pelo gigantismo de sonhos que seriam exterminados aos primeiros lampejos da maturidade, e nem desconfiávamos disto. Deve ser uma questão hormonal essa ebulição dos 20 anos, isso da vontade de poder, de ser tomado por fúrias exacerbadas contra instituições e sistemas opressores e decadentes. A juventude quer e precisa lutar! Causas não faltam nunca. Fundos musicais muito menos.

Não que sonhos e paixões feneçam na maturidade, mas nesse estágio eles acontecem, incontestavelmente, de forma mais modesta, mais silenciosa, menos agressiva e menos coletiva. Com o tempo, eu, pelo menos, fui percebendo que as ideias que me insuflavam eram, de certa forma, influenciadas pelos grandes pensadores (meus gurus) - em especial, os libertários -, e por isso não eram exatamente minhas. Com o tempo, fui percebendo que o mundo não muda fácil; quando muito passa-se de uma ditadura a outra, de um extremo a outro, de um erro a outro. Com o tempo, fui compreendendo que valores mudam, rebeldia sossega, euforias passam. E, no final das contas, acabamos, muitas vezes, por nos surpreender agindo "como nossos pais".

Sinto uma imensa saudade daquela imperativa (e hiperativa) avidez da minha juventude, que gritava alto, muito alto... Era um verdadeiro poema. Na verdade, ela não morreu, porque é parte integrante da minha história e responsável pelo resultado que hoje sou. Mas os ventos nos atiram à maturidade, ainda que à revelia. E isso não chega a ser um caos. A maior vantagem da maturidade é que nela podemos ser crianças, jovens ou maduros, conforme as circunstâncias, só que com o discernimento de saber usar esses estados de ser na hora apropriada. E a maior desvantagem é não termos mais tanto tempo para errar, tombar e recomeçar. Daí porque a voz da razão, muitas vezes, precisa calar a voz das paixões na marra.


::: by meraluz at 04:50 PM


|

janeiro 9, 2010

Por que escrevo

calvinwriting.jpg

Por que escrevo? Ao contrário do que sugerem as tirinhas do Calvin aí em cima, que ironizam a prolixidade vazia do eruditismo teórico-existencialista :), escrevo para me libertar de mim, para equacionar melhor os meus dilemas, trilemas, quadrilemas, etc. Ou para entender mais claramente o compasso da humanidade, para dar forma ao que, de tão abstrato, incomoda. Escrevo para me exorcizar. Poderia compor uma canção, se tivesse talento musical; mas não é o caso. Poderia pagar um analista, o efeito seria quase o mesmo. Mas, depois de anos e anos de terapia, e de conhecer o processo de cor e salteado, seria uma alternativa pouco excitante para mim, que tenho necessidade de criar. (Parêntesis: devo assinalar aqui que recomendo sempre uma boa psicoterapia para que os mortais se percam menos de si próprios. A mim fez-me um enorme bem.) Assim, já que gozo de alguma intimidade com as palavras e não tenho problemas com a autoexpressão, prefiro escrever.

Meus textos não são necessariamente as minhas verdades e, em absoluto, têm a pretensão de ser universais ou imperativos. Até porque a palavra sempre muda conforme o olhar e o momento vivido. Muitas vezes transformo em verbos o que gostaria de ser ou deles faço uso para tentar explicar certos estados de confusão. Da mesma forma, o que escrevo hoje pode vir a ser o que virei a criticar amanhã. Seja como for, a palavra (principalmente a escrita) muitas vezes me serve como bom sistema de drenagem. Precisamos purgar, fazer emergir, ejetar o que se acumula dentro de nós. O ser humano privado de expressão perde o sentido.

Alegro-me, portanto, quando alguns textos que aqui expurgo me ajudam a oxigenar o pensamento. E não são raras as vezes em que acabo influenciada pelas minhas próprias palavras. Pode parecer um paradoxo que a autora influencie a si própria. Mas não penso como Mário Quintana, quando diz: "Nunca me releio... Tenho um medo enorme de me influenciar. É verdadeiramente catastrófico quando um autor se transforma no seu discípulo." Pois, ao contrário do poeta, eu sempre me releio. Gosto de acompanhar as variações, as mudanças, as nuances da minha existência semântica. E não tenho medo de influenciar a mim mesma, se a influência for boa.

Houve quem já me perguntasse por que não escrevia um livro. A resposta é simples: porque não quero. Pra quê? Escrevo muito mais para mim. Publicar livro, para quem não é escritor por ofício, é, na maioria das vezes, sonho e vaidade infantil. Além disso, tenho autocrítica suficiente para saber que não escrevo tão magnificamente a ponto de fazer um livro.

Para mim, escrever é só uma hemorragia salvadora. Acho que todos deveriam tentar, de alguma forma. Danem-se os erros de português, as sintaxes e as regências indevidas. Isso é detalhe. O que importa é se libertar do peso das ideias que efervescem e expeli-las ao léu, do jeito possível. Fica tudo tão mais leve depois da expulsão dos verbos que deixaram de acontecer ou que aconteceram de modo errado...


::: by meraluz at 03:09 PM


|

janeiro 6, 2010

Sem metades

half_full.jpg

Não me deem metades. Não me acessem pela metade. Não gosto de metades. Nem mesmo de caras metades (onde dois ficam reduzidos a um). Não gosto de metade do caminho, não gosto de pessoas pela metade, de conversas pela metade, de meias verdades, de meias mentiras. Se não posso ter a unidade, se não posso ser a unidade, prefiro então pequenos dízimos, quando não o nada. Os dízimos pelo menos funcionam como modestas sugestões, preâmbulos de alguma coisa, qualquer coisa que pretenda a sua integralidade mais adiante. Mas metades não, porque não são nem uma coisa, nem outra. Ou pior: podem ser uma coisa e outra, sem a convicção de ser. Metade de mim não sou eu. Viver pelo meio eu não vivo. Tudo o que eu puder ser, viver ou doar é integral, ainda que seja por um minuto, ainda que não haja sequências, ainda que eu viva o supérfluo ou a contradição. Essa divisão no meio é ingrata. E eu, que só sei ser inteira, em cada minúsculo movimento, vivo batendo de frente com a vida, repleta de meios-termos e de seres de meias-faces.

Note-se aqui que não falo de extremos, mas de inteiros, de um... Não falo de intermediários, mas de metades. É preciso não confundir intermezzos com metades. As primaveras, por exemplo, são agradáveis estações intermediárias, mas são primaveras inteiras e cumprem todo o seu ciclo. Gosto do intermediário, do equilíbrio, só não gosto de metades, do “pela metade”, do meio sim ou meio não. Metades são medíocres. Se não puderem me dar o inteiro, deem-me o nada, mas nunca a metade. Metades não matam minha sede, que é grande e inteira.


::: by meraluz at 08:15 PM


|

janeiro 2, 2010

E lá se vai mais um dia...

Vamos começar 2010 com música, a "minha música". Até porque os pensamentos me fogem e, por conseguinte, as palavras. E lá se vai mais um dia...

Clube da Esquina II - Flávio Venturini

Porque se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, aço, aço....

Porque se chamava homem
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases
lacrimogênios
Ficam calmos, calmos, calmos

E lá se vai mais um dia

E basta contar compasso
e basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração
Na curva de um rio, rio...

E lá se vai mais um dia

E o Rio de asfalto e gente
Entorna pelas ladeiras
Entope o meio fio
Esquina mais de um milhão
Quero ver então a gente,
gente, gente...


::: by meraluz at 06:39 PM


|

dezembro 31, 2009

Feliz 2010!

O ano de 2009 se despede. Seu último dia, no Rio, amanheceu chorando copiosamente, violentamente, com inundações e desabamentos. Era como se o ano não quisesse partir. Mas parece que, aos poucos, foi se dando por vencido e se conformando em sair de cena para dar lugar a um próximo ciclo, comandado por 2010. A chuva cessou. Há pessoas de branco lá fora, muitos arautos da esperança, muitos bêbados, muitos forasteiros, muitos crédulos a depositarem suas oferendas no mar. Salve Yemanjá! São milhares de pessoas, que se transformarão em milhões, quando cair a noite na orla de Copacabana. Inebriadas de álcool e fogos de artifício, farão planos e promessas que provavelmente não irão cumprir.

Para mim, é só um dia a mais, uma mudança de dois dígitos no calendário. Para as massas, é a festa da esperança. Que seja! Porque difícil fica sobreviver sem ela. E eu vou sair por aí, de branco, como uma espécie de cronista dessa euforia coletiva, e tomar uns goles de Veuve Clicquot. Mas, apesar de não levar a festa muito a sério, torcerei para que o 'novo ciclo' seja de Paz e Harmonia; para que haja mais amor entre os homens; para que a Natureza seja menos aviltada. Que venham dias melhores. Sempre! Que vença a saúde, e não a doença (mental ou física); que vença a luz e não a sombra; que vençam os puros de espírito e os autênticos, e não os copiadores de ideias - grandiosas ou não - que não sejam suas; que vença a verdade e o coração aberto, e não as máscaras defensivas.

Feliz 2010!


::: by meraluz at 05:58 PM


|

dezembro 25, 2009

Abstração

Sou uma abstração. Minha vida, minha história, minhas circunstâncias não passam de pretextos para que eu possa me fazer representar dentro de um mundo insano, feito de pesadas concretudes. Uma abstração. Esta é minha verdadeira identidade. Algo que se confunde com as lânguidas notas de um blues, algo como partículas que se expandem e vibram no ar, como nuvens que não se prendem por muito tempo a uma forma. Como invólucro, um corpo acidental, que funciona como receptáculo e referência gravitacional apenas - ai, como pesam os corpos!... Quem me toca nem sempre toca em mim. Em contrapartida, há tantos que me tocam sem me tocar: poetas, músicos, animais, pessoas que nunca vi...

Sou uma abstração, sem muita causa, sem muito efeito, sem muita compreensão da existência.


::: by meraluz at 05:41 PM


|

dezembro 20, 2009

Bla bla bla de final de ano

xmaspenguin.jpg

Ah, não!... Eu não quero essas palavras bonitinhas, ensaiadinhas, de final de ano, iguaizinhas às do robô de brinquedo do meu afilhado, com poucas variações e muita impessoalidade. Não quero a obrigação de um sorriso nos lábios para dizer dizer "Feliz Natal! Ho Ho ho!", assim como faz aquele velhinho gordo e decrépito, que, por alguma razão que desconheço, o capitalismo vestiu de vermelho - oh, ironia! E eu, sequelada, que ainda acreditei no impostor até os 12 anos de idade, mesmo desconfiando que havia algo de errado ali: por que o "Bom Velhinho" sempre se esquecia das crianças carentes? Nunca me explicaram... Até porque não tem mesmo explicação o olhar encantado e quase conformado dos pequenos excluídos, diante daqueles brinquedos caríssimos e fascinantes nas vitrines, destinados apenas a uma minoria de menininhos e menininhas de classes mais favorecidas - "Oh, Papai Noel! Que que é isso?" Não posso mudar essa realidade, mas, premida por esse pensamento que me acompanha desde a infância, costumo presentear alguns poucos desses pequenos, a cada final de ano. É isso mesmo que vocês estão pensando! Uma forma de ficar em paz com a minha consciência. Que baixo!... Pois é.

Que digam que esta é uma mensagem blasée, incompatível, subversiva, fora de contexto ou o que for. Mas o fato é que eu não gosto dessas festas de final de ano, eu não gosto de final de ano, eu não gosto de "finais". Nem mesmo de "finais felizes", pela própria condição de ser "final". A sorte é que para cada final existe um começo ou recomeço.

Eu não vim aqui desejar "Boas Festas!" Cada um que faça a sua e, se possível, tenha bons e harmônicos momentos. Vim apenas desejar o que desejo todos os dias, para todos nós, para cada ser humano, para o mundo todo, sem a necessidade de um calendário: a paz, a leveza, a saúde mental e física, a união entre os homens, a expressão da verdade, a consciência de cuidar do nosso lar comum - este lindo planeta azul, que se torna mais cinza a cada dia, assolado pelos efeitos da ganância e do descaso.

Sinto saudade dos que se foram, sinto saudade dos que não se foram mas que, pelas contingências, sumiram da minha "festa", sinto saudade de mim. Por outro lado, espero que as novas gerações façam um bom trabalho. Que nossas crianças sejam amadas e sábias, que façam a vida valer a pena e construam um futuro mais humano, entendendo que as tecnologias de última geração e as facilidades do mundo moderno não substituem o potencial humano, tampouco o mais tenro dos sentimentos.

Que venham novos dias, novos tempos, todos os dias e a todo tempo, e que sejamos, acima de tudo, uma verdade com vontade de acontecer.


::: by meraluz at 09:37 AM


|

dezembro 17, 2009

Trajetória dos erros

Primeiro, tenta-se a estratégia, a razão pura e kantiana, a lógica dialética, o bom senso, o caminho linear e claro, e todos os recursos racionais. Você sinaliza, aponta, tenta acertar, tenta impedir o pior, mas não lhe ouvem, não lhe atendem, não lhe entendem - ou não querem entender. Depois, vêm as contorções, as confusões, as contrações, as digladiações, as turbulências emocionais, o inconformismo, a impotência. Você quer salvar a história, a qualquer preço, por achar que é uma história maior, mas não lhe ouvem, não lhe atendem, não lhe entendem - ou não querem entender. Segue-se então uma certa melancolia, a frustração de ver que a história lhe escapa das mãos, e já não há como conduzi-la unilateralmente. Você ainda tenta mais um pouco, porém já bem mais desacreditado. Palavras e movimentos se desencontram, sintonias se perdem, encantos se desfazem, e a plenitude vai se esfacelando paulatinamente. Nada mais parece inteiro, absoluto, inabalável, íntegro, no lugar. Não há lugar. Tudo é fração, e, por ser fração, perde força. Mais uma vez, agora sem tantas expectativas, você insiste em refazer o pequeno feudo encantado e feliz. Mas não lhe ouvem, não lhe atendem, não lhe entendem - ou não querem entender. Por fim, e por cansaço de dar murros em ponta de faca, de não compreender e de não ser compreendido, chega-se ao 'tanto faz', que é a mais medíocre das posturas, mas, certamente, a menos dolorosa. Estaria tudo certo, não fosse um inconveniente do 'tanto faz': ele é incapaz de garantir grandes memórias, limitando-se à pequenez de banalizar tudo o que foi imenso com suas propriedades anestésicas. Mas agora tanto faz...!


::: by meraluz at 07:40 PM


|

dezembro 6, 2009

HEXA FELIZ!!!

Desculpem-me, mas preciso registrar aqui este momento mágico de felicidade. O hexa é nosso, Mengão!!!

FLAheXA.gif

HEXAPORRA.jpg


::: by meraluz at 08:54 PM


|

dezembro 5, 2009

Os imaturos do amor

coeur051209.jpg

A cada vez que me envolvo com alguém, um temor irrompe: estarei me envolvendo com um imaturo de amor? Sim, porque, quando atingimos um certo nível de maturação de sentimentos, cruzar com os imaturos é o que de pior pode acontecer. Seria impossível trilhar o mesmo caminho e na mesma direção.

Não há como reconhecê-los a um primeiro momento. Este é o problema. Só depois de um certo tempo é que podemos identificá-los. São aqueles que precisam experimentar a sensação de perda para compreender a real importância do outro; são os que não se preocupam em alimentar o afeto por, ilusoriamente, 'acharem' que têm a pessoa nas mãos; os que ignoram que, com a sequência de suas ações ou não ações, podem ser esquecidos; os que precisam de desafios permanentes para se motivarem numa relação. Oh, não! Ao menor sinal de detecção de um imaturo de amor, eu abandono o barco, por mais que a correnteza me castigue. Não manipularei, muito menos me deixarei manipular.

Prosseguir seria pouco inteligente e deveras trabalhoso. Os imaturos de amor exigem que a gente parta pro jogo, que crie situações artificiais, impedindo-nos, assim, de repousarmos o sentimento, os movimentos... Para mim, particularmente, seria muito fácil o jogo. Já aprendi o suficiente com a vida. E, exatamente por ter aprendido a jogar, é que aprendi também a não querer o jogo. Sei exatamente quais são os movimentos de atração e de repulsão. Mas ficar refém de jogo? Não, nunca. Jogando uma vez, terei de jogar sempre. Situação pobre e muito, muito, extenuante.

Dou-me ao luxo, depois de tantos açoites, de querer um pouco mais do que isso, ainda que esse pouco mais seja a fidelidade a mim mesma e a paz interior. E, quantos aos imaturos de amor, que a vida venha a lhes ensinar um dia que o amor de verdade se constrói na tessitura das simplicidades, das verdades e da saúde.


::: by meraluz at 05:25 PM


|

- continua -