junho 07, 2008

I pray for St. John Coltrane...


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março 26, 2008

Blow up!

Blow Up!

Blow up! Exploda, se puder. Pois nada há de pior do que o "deixa quieto". "Deixar quieto" é como passar pela existência sem inscrever seu nome nela. É egoísmo, uma vez que não existimos apenas para nós. Que aconteçam as explosões, de lágrimas, de risos, de espasmos, de mágoas ou saudades infinitas. O silêncio do Eu é um gás tóxico que rouba, a cada dia, pedaços de nossas vidas. E vida é algo muito caro, muito caro, sim senhor.

Ah, quem me dera poder explodir! Gritar-me ao mundo ou, pelo menos, ao próximo. Mas não posso. Não é por não querer. A última erupção do meu Vesúvio, ao cuspir fogo pelos ares, transformou minha cidade interna numa espécie de Pompéia adormecida. A partir das cinzas, recomecei. Mas não como a Fênix. Talvez por sobrevicência, fui aprendendo a excluir e a me distanciar de materiais inflamáveis. Evitei construir novas cidades e histórias, e tudo mais que pudesse correr o risco das extinções, sobretudo vulcões.

Não, isso não é bom. Apenas inutilmente confortável. Para poder explodir novamente, em luz ou em sombras, precisaria mergulhar em histórias viscerais, precisaria reinventá-las e abrir todas as portas ao acaso. Não sei se ainda dá tempo. Acho que não. Meu pensamento me domina e me protege tanto de mim, que por vezes até esqueço que existo. Por isso digo a todos: Explodam! Expulsem de seus esconderijos anjos e demônios, paixões, fúrias, pavores, felicidade ou euforia! É melhor assim. É bem melhor assim. É como escrever nos pergaminhos da vida em letras garrafais: "Eu sou!"

Há uma frase de Quintana que diz: "Sonhar é acordar-se para dentro". Mas, ainda que seja bom sonhar, de que adianta acordar para dentro? Ninguém viu, ninguém verá, não haverá fotossíntese, nem céu, nem mar...

Então, blow up!!

Porque o medo da dor dói mais que a própria dor; porque aperta, oprime, sufoca. O medo da dor é a dor do vazio, é o pavor de poder ser feliz e não saber o que fazer com isso.


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março 01, 2008

Feliz Aniversário, Ma-ra-vi-lho-sa!

Feliz Aniversário, minha linda, maravilhosa, indescritível cidade. De tão apaixonada que sou por ti, jamais poderia ter nascido em outro lugar. Tua beleza me comove, porque é uma pintura diferente a cada dia, com novas luzes e cores, nessa explosão verde-azul. Tua gente risonha, cheia de charme - cariocas de nascimento, de adoção e de coração - é feita de festa, irreverência e alegria.

Rio de Janeiro - 443 anos

Infelizmente, teus "guardiões" não vieram para a festa com os merecidos e ansiados presentes. Condenaram-te ao abandono, ao risco, à desordem, à violência, às ruas sem iluminação, à impunidade dos que te ferem, à sujeira, poluição, às praças e jardins maltratados, a pouco investimento em tua cultura farta. Ignora teus detratores, Maravilhosa. Eles passarão. Talvez por isso tuas lágrimas caem hoje na forma de uma tímida chuva. Mas não tem nada não. Novos tempos virão, e com eles novos homens, espero, que hão de te cobrir de mimos e flores. Consola-te, pois, que tua beleza resiste a tudo, teu sorriso resiste a tudo, e teu Redentor, lá de cima, continua a te/nos abençoar.

Feliz Aniversário, minha paixão desvairada! Jamais irei me cansar de cantar tuas belezas, que inspiraram e continuam a inspirar tantas canções. Jamais vou me cansar de tuas mutantes paisagens e da voz rouca de tuas ruas.

Cariocas, de nascimento e de coração, brindemos hoje a este lugar encantado, que a todos ama e acolhe, sem distinção; a esta cidade que, não por acaso, resolveram chamar de "maravilhosa". A magia atende pelo nome de Rio de Janeiro, uma mocinha de 453 anos, nascida em 1.º de março de 1565, com a vocação de ser feliz.

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Não percam hoje, na Praia de Ipanema:

Haverá uma homenagem aos 50 anos de “Chega de Saudade”, música de Vinícius e Tom que marca o início da Bossa Nova, sendo considerado como o dia do ritmo. A prefeitura vai aproveitar a ocasião e comemorar os 443 anos da cidade do Rio de Janeiro.

Diversos artistas se reunirão na Praia de Ipanema para os festejos, entre eles estão cotados nomes como Maria Rita, Leila Pinheiro, Roberto Menescal, Fernanda Takai, Emílio Santiago, Joyce, Bossacucanova, João Donato, Carlos Lyra, Wanda Sá, Leny Andrade, Zimbo Trio, Marcos Valle e Oscar Castro Neves.

Para finalizar a festa, todos apresentarão juntos a canção “Se Todos Fossem Iguais a Você”.


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fevereiro 15, 2008

Vida má

branko_lastone.JPG

Esta é a última foto do meu Brankinho, já bem doente. Minha ligação com esse gatinho se dava a nível cósmico. Alguma conexão mágica me unia a ele. Ao lado há um outro gato, o amigo de fé. A foto é o espelho da solidariedade. O amigo, convencido de que nada mais poderia fazer para reanimá-lo, limitou-se a ficar horas com a cabeça deitada sobre ele, em comunhão e cumplicidade, como se quisesse aliviar seu sofrimento. Ficaram ali juntinhos e em silêncio por toda uma tarde. Há quem diga que animais são seres inferiores. Mas eu insisto em discordar: são muito mais sábios do nós, reles humanos.

Meu Brankinho foi definhando após a ingestão de um antibiótico, ministrado por causa de tártaro, segundo informou a veterinária. Morreu. Não morreu de tártaro, obviamente, mas por causa dos efeitos violentos do antibiótico num corpinho já debilitado. Foi tão generoso que adiou sua partida, só para não ter que morrer no meu aniversário. Esperou até o dia seguinte.

Mas a morte não é nada. A vida é que é bandida, perversa. Foi a vida que o fez agonizar por mais de 10 horas, brigando à procura de ar, lutando para preservá-la, entre convulsões, dores e espasmos. Por mais de uma vez, levantei para levá-lo ao "sacrifício" e abreviar seu sofrimento. Mas, neste momento, ele emitia algum sinal de vida. Miava e arregalava os olhinhos como se dissesse: "Não! Deixa eu ficar mais um pouco com vocês". Não deveria eu ter lhe dado ouvidos. Abreviar o sofrimento da sua inocência era o mínimo que eu poderia fazer. Teria de sacrificá-lo, sim, já que o estado se agravava.

Há um vazio enorme agora dentro de mim. Não sei quando vou me recuperar deste dia, de ter presenciado tanta aflição e sofrimento. Em vão, tento me consolar, repetindo que ele deve estar em algum bom lugar, passeando nas nuvens, sem a prisão do corpo frágil e pesado, ao mesmo tempo.

Descanse em paz, meu Brankinho. Foram 10 anos de alegria.


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dezembro 29, 2007

Pra ele

wishUwerehere.jpgUm dia ele perguntou se eu seria capaz de escrever pra ele. Tarefinha difícil. Há mais de um ano venho tentando, sem êxito. Talvez as notas de um blues, a variação de um jazz, o descrevessem melhor. Sem música, não há como falar dele. Ele é música. Sempre o compreendi através das canções. Nem é preciso dizer que há uma seleção musical escolhida a dedo, enquanto escrevo a "criatura" aqui.

Além disso, ele é o muso definitivo dos futuros de meus pretéritos. Ou seja, daqueles encontros desejáveis, porém dificilmente exequíveis. Com ele eu iria para Grytviken; tomaria um porre sem censuras; falaria mil verdades, mil mentiras; assoviaria canções do tipo "Let'Em in", sairia de sandálias havaianas. Com ele eu passaria horas em silêncio, sem me sentir desconfortável por isso, e também viraria noites conversando; não teria medo de envelhecer ou a preocupação de engordar; não teria medo de ser ridícula; não viveria personagem algum que não fosse eu mesma, estaria dispensada das exaustivas alegorias para projetar ao outro tudo aquilo que não se é. Seria, iria, faria...

Não sei se ele é bom ou mau, feliz ou infeliz. Gosto dele assim, sem saber, sem juízos, sem juízo. Quem é essa criatura? Um anti-herói? O cara que certamente não lhe mandará flores e esquecerá o dia de seu aniversário? Que importa? O planeta tem uma fauna extensa e cansativa de falsos heróis e falsos românticos, que não passam de caixas vazias. A mim basta o que ele tem de melhor, e que, segundo minhas prioridades, eu classifico como fundamental: sensibilidade, humor (bom e mau) sutil e sonhos mil. Pra que se precisa de mais?

Eu não preciso dele. Ele não precisa de mim. Somos deliciosamente desnecessários um ao outro. Assim, se há algum tipo de afeto entre nós, este afeto é o produto livre de um total descompromisso. Sem causas e sem consequências.

Como está sendo difícil (d)escrever essa criatura segundo meu olhar. Não é simples transformar em palavras as coisas do lado de dentro. Eu poderia apagar todos os parágrafos e deixar aqui apenas uma música bonita, de acordes suaves, cujo título fosse "Bom de Tocar, Bom de Ouvir" (embora os toques não nos sejam permitidos). Estaria sendo bem mais fiel às minhas impressões.

E agora o mais importante - e o que todos gostariam de saber. Eu me apaixonaria por ele? Ah... Se o tempo e a geografia não tivessem errado tanto, eu me apaixonaria por ele, sim. Tranquilamente. Seria o meu handy man. À segunda vista, ele é tão gostável quanto morangos com chantilly. Mas não dessas paixões incandescentes e famélicas, que terminam logo ali. Essas não valem para ele, que não faz o gênero "relâmpago", nem muito menos "objeto". Teria de ser com aquele tipo de gostar que aguenta as ranhetices e as delícias um do outro para sempre, sem cansar. Piloto e co-piloto numa viagem sem fim, entre as estrelas e o chão. Porém, como a hipótese é inviável, resta-me desejar que, um dia, ele seja muito feliz ao lado de alguém, de alguém que o saiba compreender, e, sobretudo, que não seja qualquer.

É isso. Foi tudo o que consegui fazer. Tudo para, no final, o chato passar o olho por todo este tratado e dizer: "Podia fazer melhor". Ele é assim... :) E eu gosto assim.

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To my Handy Man
Happy 2008!

(capas de todos os álbuns de James Taylor)


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novembro 11, 2007

Batida Diferente - Leny de Andrade e Durval Ferreira

Durval, meu primo querido dos olhos de mar, saudade de você... (suspiro)
Mas não tem nada não! A gente segue por aí, cantarolando as suas canções...

Tchu tchu tchu tchi dah pih dah bah dah!...


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outubro 19, 2007

Aridez orgânica

loneliness.jpg
Nos tempos da loucura era a multiplicação de pães e palavras, era a redenção, a libertação, os anos-luz, a criatividade e as hemorragias policromáticas. Nos tempos da loucura era a ausência do tédio linear, a ardência das temperaturas. Dores e cores, idas e vindas, infinitos e infinitos, sangue e mel, vôos e mergulhos. Nos tempos da loucura - e loucura aqui pode ser traduzida como um redemoinho de paixões irregulares -, eu vivia comigo. Bem ou mal, eu vivia comigo...

Mas as ondas revoltas da vida foram me jogando de encontro à "normalidade" e aos becos cognitivos. Eu eu entendi que era preciso me explicar, a não perder tempo com longas e intensas jornadas que não produzem resultados concretos. Tudo muito prático. Redução do risco de sofrimentos, do tempo desperdiçado, maior assertividade, mais simplificação existencial. Enfim, a lucidez. Só ignorava o preço a pagar.

O preço foi alto. Paguei com meus sonhos, com a capacidade criativa, com a sensibilidade. Essa força concretista, para alguns necessária, silenciou meu coração e meus poderes trasnformadores; impôs limites à imaginação e à fé.

Aprendi tudo errado. É na loucura que se vive, que se cria, que se cumpre a existência. Hoje vivo a dor emudecida de uma lucidez bem comportada, sem ousadia, sem esperanças. Tornei-me um ser puramente orgânico. Posso explicar tudo, quando o que quero é o inexplicável. Posso ponderar tudo, quando quero o imponderável. Caminho sem volta.


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agosto 08, 2007

We just don't care

Apaixonei-me por esta música. De-li-ci-o-sa de ouvir.

We just don't care... We just don't care...




PDA We just don't care - John Legend


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junho 28, 2007

Fernando Pessoa - poemas aleatórios

CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO  E LEIA UM POEMA ALEATÓRIO DO POETA DOS POETAS


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junho 27, 2007

Músicos - sobreviventes dos (des)compassos

Fico feliz quando estou perto de músicos. Fico feliz com música - se é que ainda dá pra ser feliz neste país desafinado. Falo aqui de músicos na verdadeira acepção da palavra, esses sobreviventes iluminados, de um planeta à parte, de sensibilidade aguçada. Esses injustiçados por gravadoras e mídias, pela mediocridade imperante do pão e circo para o povo. O povo pode merecer um pouco mais... Um pouco mais que não será dado. É contraproducente para as engrenagens fazer um povo crescer, criar nele a demanda por boas coisas, boas músicas, boa arte.
Felizmente nasci numa família de músicos. Meus ouvidos, educados e exigentes, agradecem.

pizzapark.jpg
Eu, Vitinho Biglione, Amandinha e Wagner Tiso - com muita honra, no Pizza Park



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junho 24, 2007

Durval, não deu tempo de dizer...

Durval, no Modern Sound Durval, Marcia, Nildée - JClub
Durval Ferreira (1935-2007)
músico - compositor - produtor - meu primo querido

Durval,

Não deu tempo. Não deu tempo de dizer que eu tinha tanto orgulho de você, do seu jeito macio de ver o mundo e a música, através desses olhos azuis.

Não deu tempo de relembrarmos juntos das velhas algazarras em família, do entra-e-sai de gente na casa da Tia Alice (sua mãe, que deve estar ao seu lado agora); dos violões, piano, violinos que, excitados, animavam a casa. Eu era ainda muito criança mas entendia tudo, entendia a música unindo pessoas. Não deu tempo de dizer que foram muito felizes aqueles Natais, aqui em casa, entre 1995 e 2001, depois que sua mãe se foi, onde todos se reuniam, no final da festa, para cantar Batida Diferente com você. Em 2002, minha avó, sua madrinha, também partiu, e nos dipersamos nesses encontros de final de ano. Por que todos se vão? Por quê? Por que a única certeza é a porta de saída?

Mas nos víamos sempre, entre visitas esporádicas e os happy hours da Modern Sound, lugar de boa música. E depois no JClub, lugar de música melhor ainda. Você sempre alegre, sempre alegre, sempre catando ou ressuscitando talentos.

Não deu tempo de dizer do quanto achava louvável sua quixotesca luta para não deixar a bossa-nova morrer, sua sensibilidade para compor, seu trabalho (recente) no JClub da Casa de Cultura Julieta de Serpa, abrindo espaço para grandes ícones da verdadeira música, que a mídia obtusa teima em esconder.

Valeu, meu primo, valeu! O andar de cima deve ser só mais uma "Batida Diferente", suponho, apesar de não "Esta(r)mos Aí". Mas vida que valeu não se extingue; se transforma, se liberta, muda de lugar, mas não se extingue. Com certeza, a essa altura, você estará compondo lindas e imortais canções, ao lado de tanta gente boa que se mudou aí pro andar de cima.

Aqui fica a "Chuva" da sua ausência e uma saudade imensa. Obrigada pelo constante carinho, obrigada pelas canções!

Fica a "Nostalgia da Bossa" em "Diagonal", ficam as "Nuvens", fica a "Verdade em Paz". E vamos "Vivendo de Ilusão".

Sobre Durval Ferreira


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abril 14, 2007

Linda...

Quis Deus que eu nascesse nesta terra. Não sei se sou feliz aqui, mas essa coisa de felicidade é um detalhe irrelevante. Quando quero ser feliz, vou para o nordeste; da mesma forma que, quando quero um pouco mais de civilidade, vou para o sul. Mas o Rio - ah, o Rio... - é pleno. É cheio de inferno e céu. É dor e delícia ao extremo. E é lindo, azul, encantado, atormentado, entre mares e montanhas. Tudo é forte, tudo é música, tudo é sangue. Trágico, cômico, sorridente, sofrido. Intenso. Tem arte, tem samba, tem chope em cada esquina, tem bêbados equilibristas, flamenguistas, tem alma, muita alma, tem caos, bala perdida e uma beleza inefável, que muda a cada dia, de acordo com a luz do sol - que sol!

Aqui se rima amor e dor, beleza e tristeza. Aqui tudo, de sagrado e de profano.


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janeiro 04, 2007

Ah, se eu pudesse!

sailing.jpg



Ah!, se eu pudesse te buscar sorrindo
E lindo fosse o dia, como um dia foi
E indo nesse lindo, feito para nós dois
Pisando nisso tudo que se fez canção

Ah!, se eu pudesse te mostrar as flores
Que cantam suas cores para a manhã que nasce
Que cheiram no caminho como quem falasse
As coisas mais bonitas para a manhã de sol

Ah!, se eu pudesse, no fim do caminho
Achar nosso barquinho e levá-lo ao mar
Ah!, se eu pudesse tanta poesia
Ah!, se eu pudesse, sempre, aquele dia

Ah!, se eu pudesse te buscar serena
Eu juro, pegaria sua mão pequena
E juntos vendo o mar
Dizendo aquilo tudo, quase sem falar



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junho 13, 2006

Quando os extremos se encontram...

sunmoon1.jpg

Quem disse que o sol não encontra a lua?
Encontra... Só não toca.
Há encontros que dispensam o toque.
Como a lua e o sol,
Como almas afins.


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junho 12, 2006

Os Reféns pedem socorro!

(Fausto Wolff)

NUNCA PENSEI que escreveria isto: o Brasil e seu povo são reféns do governo. Não estivemos nesta situação nem nos anos da ditadura, pois, como ela era ilegal, tínhamos com quem brigar, não lhe dávamos as costas e sonhávamos com a reconstrução da esquerda. Hoje somos reféns porque não apitamos. Se tentarmos apitar, nos matam, vamos para a cadeia, nos despedem ou , na melhor das hipóteses, nos aplicam uma multa.

Pensando bem, Lula trabalhou bem e é mesmo capaz de ganhar no primeiro turno. Em 2002, encontrou uma classe média (cuja ideologia é galgar os degraus que levam à alta burguesia e fazer qualquer negócio para não descer ao inferno do proletariado) entre o fogo e a frigideira. Se por um lado não queria perder o pouco que tinha votando num candidato comunista (é, a classe média achava que Lula era comunista), não podia permitir que os neoliberais de FHC continuassem a estreitar seu pescoço com o garrote vil do congelamento.

CONTINUA...

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março 05, 2006

Gabriel

marciagabi2.jpg
O moleque tinha seis meses quando vi pela primeira vez. Notei, de cara, que não se tratava apenas de mais uma criatura no mundo, como tantas outras. Gabriel era especial. Sabia que não deveria esperar dele as reações comuns das crianças que se submetem facilmente às regras da conveniência adulta, a despeito de seus lindos traços angelicais. Não, ele não haveria de ser um submisso às regras do jogo, seu destino era a liberdade. Quando bebê, chorava muito, esgoelava-se, como se quisesse marcar para sempre sua presença no mundo. Depois de um ano, ao contrário, raramente chorava. Destemido por natureza. Parecia não conhecer o medo. E isso me fascinava. Havia eletricidade dentro do menino. Gabriel me emocionava.

Lembro de uma vez quando Gabriel levou umas boas palmadas do pai - devia ter pouco mais de 2 anos - e não verteu uma lágrima sequer. A cada palmada, olhava fundo e sério dentro dos olhos de seu paterno algoz, levando-o à loucura por não ter conseguido gerar a reação esperada. Já nessa época parecia ter total domínio sobre a mente e o corpo. E era apenas uma criança... Uma criança risonha, de personalidade pronta e muito, muito sensível. Com menos de um ano, soltamos o guri na piscina do clube e ele saiu nadando sozinho. Naquela hora virou um Netuno - e assim continua, pelo visto, surfando na Prainha, nas Maldivas ou Hawaii. Eu oscilava entre o encanto e o espanto.

CONTINUA...

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fevereiro 26, 2006

Uma entrevista que vale a leitura

Entrevista: Steven Hayes


Não fuja da dor

Para um dos psicólogos mais polêmicos dos Estados Unidos, é preciso aceitar a tristeza porque felicidade não é normal. 

Ruth Costas (Revista VEJA, ed.1945, 1 março 2006)

Timothy Archibald
"As artimanhas que usamos para escapar da aflição nos desviam de nossos objetivos de vida. E é por eles que vale a pena viver"

O psicólogo americano Steven Hayes, de 57 anos, está causando alvoroço entre seus colegas de profissão. Em seu novo livro, Saia de Sua Mente e Entre em Sua Vida, publicado no fim do ano passado nos Estados Unidos, ele rompe com um método em voga na psicologia há trinta anos: a terapia cognitiva, que instrui pacientes a se livrar de seus pensamentos e sentimentos negativos. Hayes diz que, ao contrário, é preciso aceitar a dor e o sofrimento como parte da vida. Suas teorias causam especial impacto no tratamento de distúrbios como a depressão e os transtornos de ansiedade. Autor de 27 livros e centenas de artigos científicos, nos últimos dez anos Hayes recebeu mais de 5 milhões de dólares do governo americano para avançar em seus estudos. Ex-presidente da Associação de Terapias Cognitivas Comportamentais, ele está há onze anos sem ter um ataque de síndrome do pânico, que o aflige desde os 29 anos. Hayes concedeu a seguinte entrevista a VEJA de sua casa no estado de Nevada, onde mora com a mulher, a psicóloga gaúcha Jacqueline Pistorello, e três de seus quatro filhos.

Veja –Por que o senhor diz que felicidade não é normal?
Hayes – Muita gente tem um conceito distorcido de felicidade. O mais comum é vê-la como ausência completa de dor e como uma seqüência de momentos nos quais a pessoa se sente bem. É fácil preencher a vida com uma série de episódios efêmeros de bem-estar, como sair com os amigos ou beber um bom vinho. São diversões que podem trazer satisfação momentânea, mas na manhã seguinte a vida não estará melhor e não haverá como evitar que aconteçam coisas ruins. Todos sabemos que um dia vamos morrer, todos nós lembramos da perda de um amigo querido, de algum erro que cometemos, de dramas, traições ou doenças. A diferença entre o homem e outras criaturas está na capacidade que ele tem de usar suas habilidades cognitivas para remoer os erros e infortúnios do passado e temer as incertezas do futuro. Por isso o normal é sentir dor e sofrer.

CONTINUA...

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fevereiro 10, 2006

Cansaço

Ando tão cansada de tudo... Tomara que eu canse logo de me cansar.


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fevereiro 03, 2006

Complicadamente simples

Pois é... É simples ser complicado e tão complicado ser simples nesse mundo louco. Exemplo: não consigo dormir - simples ou complicado? Complicado, se eu me pergunto "Por que não consigo dormir?". Virão à mente mil questões, que variam da esfera fisiológica à psicológica: "Há algo errado com meu organismo?", "O que será que me tira o sono?", "E amanhã, como vai ser?", etc. Complicado, se eu tentar dormir na marra, porque aí é que vou mesmo fazer companhia à noite em claro. Mas é simples se eu não discutir com meu corpo, é simples se deixar com que os fluxos naturais conduzam o meu estado. Simples, se ligar a TV e me distrair com um filme vagabundo qualquer, se vier aqui pro blog e escrever essas simples asneiras. Dormirei na hora possível e pronto. Nada de duelos.

E assim tudo pode ser simples ou complicado. Viver é complicado, amar é complicado, mostrar a cara limpa é complicado. Mas é complicado porque é simples, e parece que a civilização ocidental desaprendeu as simplicidades. Acho que é porque as pessoas preferem antes colocar seu ponto de felicidade e bem-estar bem distante delas a tentar ser feliz com aquilo que já têm. E sempre se tem alguma coisa... Sempre se tem alguma coisa...


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fevereiro 02, 2006

Poema de Bukowski para personagens de Bukowski

guitarman2.jpg

It
takes
a lot of

desperation

dissatisfaction

and
disillusion

to
write

a
few
good
poems.

it's not
for
everybody

either to

write
it

or even to

read
it.


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